HUMILDADE



IMPACIÊNCIA X ORGULHO


         A impaciência, muitas vezes, reflete nosso orgulho e prepotência, quando entendemos ter o direito de sermos atendidos com mais presteza pelas pessoas e até mesmo por situações.
REMÉDIO: Gratidão a Deus, à vida, a tudo...
POR QUE? Porque quando nos sentimos agradecidos por tudo, deixamos de nos sentir com direito a tudo, e isto nos leva à paciência e a à humildade, dois valores de alta magnitude na formação do espírito.


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SENTIA-SE SATISFEITO COM SEU DOM
Anselmo estava meio acordado naquela manhã de domingo, lembrando-se da palestra que fizera na véspera. Sentia-se satisfeito pelo dom da fala com que fora aquinhoado na atual encarnação, que lhe facultava ser constantemente convidado pelos centros espíritas da cidade e até mesmo de outros estados. Mentalmente somava as ações meritórias que desenvolvia, não só com palestras, mas também com diversas outras atividades no centro e fora dele. Como já passara dos 65, ficou a imaginar como seria seu retorno à dimensão espiritual e sorria, entendendo que a recepção seria no mínimo agradável, já que vinha cumprindo fielmente seu programa reencarnatório.
A essa altura dos raciocínios percebeu que outra mente mais poderosa que a sua lhe falava no âmago de seu pensamento, dizendo:
“Não se acredite tão merecedor assim. Em duas de suas passadas encarnações você foi escritor muito bem sucedido, mas ao invés de usar esse dom de forma construtiva você fez o contrário, levou milhares de leitores à descrença, ao ateísmo, quando não à luxúria e à licenciosidade. Dessa forma, tornou-se responsável pelos grandes prejuízos que provocou na evolução daquelas pessoas, afetando todo o seu futuro espiritual. Com sua atuação atual você está apenas atenuando um pouco suas pesadas culpas.”
– Meu Deus! – Exclamou Anselmo, sentando-se na beirada da cama. – Quer dizer que estou apenas atenuando graves comprometimentos cármicos...
Riu amargamente e, depois de algum tempo observando a própria realidade como se a presenciasse numa tela panorâmica, baixando a cabeça humildemente, disse:
– Meu Deus, perdoa-me tanta vaidade e insensatez... Ajuda-me a me tornar verdadeiramente humilde e a bem aproveitar o tempo que ainda me resta nesta encarnação.

Será que nós outros também estamos apenas atenuando graves comprometimentos cármicos?

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A HUMILDADE é um dos valores mais importantes em nossa evolução espiritual, mas é tão difícil conseguirmos desenvolvê-lo e mantê-lo em nossas atitudes.
Mas, se não fizermos um GRANDE ESFORORÇO, ficaremos na beira da estrada, vendo as oportunidades de crescimento passarem...

Para ilustrar um pouco a forma como a vaidade e o orgulho atuam em nós sem mesmo percebermos, segue um trecho do conto Um Forró no Umbral:

"A música recomeça e com ela Anastácio e os demais voltam a rodopiar, num louco e incontrolável frenesi, sem conseguirem parar. Quando finalmente silencia, Anastácio, vencido pelo cansaço, cambaleia e, para não cair, agarra-se no cabelo de uma mulher que está próxima. Ela dá um grito de dor, voltando-se para ele que, espantado, reconhece-a:
– Marieta! Você também está aqui?
Marieta fora uma das melhores palestrantes do movimento espírita local. De olhos arregalados pelo espanto, exclama:
– Anastácio? Nunca esperei que viesse para cá. Você... sempre tão certinho.
– É... nem eu esperava.  E você, uma das melhores palestrantes que conheci, como é que veio parar aqui?
– Enganos, meu caro, enganos.
Quer dizer que veio para cá por engano? Como é que pode?
– Não, não! O engano foi meu. Eu fazia belas e emocionantes palestras e me achava o máximo. Eu vivia muito ocupada em estudar a Doutrina, porque queria ter sempre na ponta da língua a resposta para qualquer pergunta. Sentia uma grande satisfação em poder “esmagar” os outros, num debate, com minhas argumentações, muitas vezes ferinas.  Na verdade, Anastácio, eu amava a mim mesma, à minha vaidade. Não pratiquei a fraternidade. Não respeitei meu próximo, como deveria, não respeitei as suas opiniões, seus pontos de vista. Eu achava que era a dona da verdade, e não percebi que a verdade tem muitas facetas, uma para cada momento evolutivo. E vocês que me criticavam pelas costas nunca tiveram fraternidade suficiente para conversarem comigo e me mostrarem meus enganos."

Esse conto, na íntegra, intitulado "Um Forró no Umbral" pode ser baixado via: www.mundoespiritual.com.br descendo um pouco na primeira página, em “Para download”.


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SANTIFICAÇÃO DE ADORNO

O espírito Ermance Dufaux, no livro Reforma Íntima sem Martírio, quando fala nas inúmeras máscaras que usamos num processo de “santificação de adorno”, diz:
“Percebe-se que esse tipo de “santificação” está no nosso exterior, como mera vestimenta ou adorno a ser mostrado aos outros, principalmente aos companheiros da seara, por receio de sermos por eles julgados e tidos como “maus espíritas”, ou seja, de cairmos no conceito da comunidade em que estamos inseridos. Mas lembremos que Jesus enfatizou muito essa questão das aparências e a própria lógica nos diz que ela não tem qualquer consistência. Ao contrário, é muito prejudicial à nossa evolução porque nos leva, ao longo do tempo, a acreditar que realmente somos o que aparentamos, engano que nos custará muitas dores, tristezas e arrependimento após ingressarmos no reino da verdade pelas portas da desencarnação.”
Busquemos refletir sobre essa questão, mergulhando mais fundo em nós mesmos para ver se estamos procurando aparentar uma “santificação de adorno”, principalmente junto aos companheiros de seara.


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POR QUE NOS SENTIMOS HUMILHADOS?
Por que em determinadas situações nos sentimos humilhados?
Não será porque sentimentos de humilhação e de culpa são irmãos siameses?
Quando nos sentimos culpados de algo que nos é “lançado em rosto”, mesmo que seja algo oculto no inconsciente, ocorrido em vida passada e ainda não resolvido, essa ressonância gera em nós um sentimento que nos aflige e nos deixa humilhados.
Jesus passou pelas mais terríveis humilhações, sem sentir-se humilhado. Sua postura era sempre de serenidade e paz interior.
Vamos trocar ideias sobre isso?
PARTICIPE

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O QUE É EXATAMENTE HUMILDADE?

É fazermo-nos pequenos, menores do que somos na realidade? É minimizar nossos valores?
Certamente, não.
A humildade é uma percepção clara da nossa real condição. Nem para mais, nem para menos.
Se for para mais nos levará ao orgulho, porque a idéia de sermos mais evoluídos do que nossa realidade acarreta envaidecimento, já que, pela nossa pouca evolução, estamos ainda muito predispostos a cair nessa ilusão.
Se forçarmos nossa percepção para menos, isto nos levará a uma situação irreal e à diminuição da nossa auto-estima, o que é prejudicial para nossa vida e evolução.
Mas como podemos encontrar nossa real condição? Aprofundando o auto-conhecimento.
Mas é preciso ter cuidado porque geralmente ao mergulharmos em nossa intimidade nessa busca, temos como foco, mesmo inconsciente, encontrar valores ainda não descobertos.
Hoje, pela manhã, ao fazer a caminhada diária, tive ocasião de entender essa questão por um ângulo diferente.
Numa prece pedi a Deus e aos espíritos benfeitores que me ajudassem a me tornar humilde, a conhecer minha realidade mais íntima, a fim de que esse conhecimento me ajudasse nesse desiderato.
Pus-me então a refletir, percebendo que um amigo espiritual conduzia minhas reflexões e, assim, na busca à minha realidade, comecei por fazer um questionamento.
Se nunca tivesse tido orientação, assistência e participação espiritual em minhas ações e na condução da minha vida, como eu seria ou estaria agora?
Era uma questão difícil, mas importante. E como entremostrava um universo excessivamente vasto, achei melhor fixar-me apenas na minha vida como espírita.
Voltei então atrás no tempo, desde os primeiros passos neste caminho, perguntando-me sempre como teria sido se os espíritos não me tivessem auxiliado, orientado e conduzido?
Dessas perguntas restou um saldo que certamente estava bem abaixo do esperado.
Percebi então que não seria, na minha realidade, o que hoje “estou”, e nesse caminhar rememorativo cheguei ao momento em que comecei a atuar na divulgação do Espiritismo ao público externo: coluna no jornal, programa no rádio, peças teatrais, livros e muitas outras atividades que se foram desdobrando ante meu olhar interior. Mas esse olhar já era diferente. Ao perguntar-me como teria sido se não tivesse recebido assistência espiritual em cada etapa, em cada momento... só encontrava o vazio. Não havia respostas.
Fui trazendo à memória a forma como todas essas ações começaram e percebi com absoluta clareza que mãos invisíveis sempre conduziram absolutamente tudo.
Tudo que tenho escrito, todas as iniciativas, tudo sempre começou e continuou pela ação deles. Até mesmo isto que estou escrevendo agora, foi-me intuído por eles. Nada do que fiz e faço é de minha exclusiva lavra. Na verdade, sou apenas a mão que executa.
Como segundo passo, comecei a imaginar como eu seria hoje, não tivesse sido “levada” para este caminho. Talvez fosse uma dona-de-casa unicamente preocupada com os afazeres domésticos e as conversas com as vizinhas, dissecando a vida dos outros, ou detalhando os acidentes, crimes e fofocas ocorridos mais recentemente. Talvez fosse uma profissional inteiramente tomada pelas atividades e a luta pela sobrevivência. Provavelmente estaria enfrentado situações as mais amargurosas e sofridas, em difíceis resgates, sem poder contar com o apoio e amparo dos amigos espirituais. Em qualquer dessas situações eu me via como uma pessoa absolutamente insignificante. Pior ainda, ao pensar que sem a assistência dos amigos espirituais, quem sabe poderia ter-me tornado alguém de presença negativa, maléfica.
Que terrível “virada”!
Já olhava os transeuntes percebendo-me abaixo de todos, sem qualquer valor. Senti então, não exatamente humildade, mas uma terrível sensação de inferioridade e de impotência, e o desânimo começou a se instalar.
Mas antes que se instalasse e, certamente com ajuda do benfeitor espiritual, lembrei-me de um dos pontos desta Agenda, o equilíbrio.
Se analisasse com equilíbrio, entenderia que em todo esse andamento da minha vida como espírita houve também minha participação, embora mínima:
a) deixei que me conduzissem, agindo com o valor da “boa vontade”;
b) assumi o compromisso firmado antes da minha reencarnação, procurando fazer a minha parte;
c) esforcei-me por me conectar com o “mais alto” através da prece, das atitudes e ações, dentro da minha limitada evolução e, apesar das quedas e tropeços, não desisti;
d) tenho procurado ser a “mão que executa”, mesmo sem ter sempre executado da melhor maneira.
Com essas observações já deu para respirar mais aliviada, mas a “queda na realidade” foi extremamente marcante.
Acredito que daqui em diante, se meus pensamentos convergirem para o que “estou”, olharei para mim mesma procurando imaginar como seria e como estaria, não fosse a assistência e ajuda dos benfeitores espirituais. Assim poderei ver a minha realidade, a minha verdadeira condição, e isto me ajudará a caminhar no rumo da humildade e, no lugar do orgulho, começar a construir um espaço para a gratidão, com profunda admiração pelo grandioso valor, o amor, que leva tantos a acolherem e a ajudarem tantos outros de forma absolutamente desinteressada. (A referência é aos espíritos benfeitores.)
Quando “caímos na realidade” percebemos que não há razões para nos sentirmos engrandecidos por nossas constatações distorcidas, pelos elogios recebidos ou por quaisquer outras razões. Tudo em nossas vidas será motivo de gratidão àqueles que nos assistem e motivação para buscarmos cada vez mais nosso crescimento interior.
Mas esse mergulho em nossa realidade apresenta também outro desdobramento, o nosso grau de evolução espiritual, aquilo que SOMOS, não o que aparentamos ser.
Ermance e outros espíritos falam muito sobre as grandes decepções e sofrimentos de espíritas em seu retorno ao mundo espiritual, quando em contato mais profundo com sua própria realidade, por causa desse “aparentar ser o que na realidade não se é”.
E essa realidade é fácil de constatar quando nos colocamos de atalaia junto a nós mesmos, ou como ouvidor junto à nossa fala, perguntando-nos sempre as causas profundas de tais pensamentos, palavras, atitudes e ações. Com isso podemos perceber, quando nas linhas da verdade, o quanto de enganos ainda há em nós e quanto camuflamos as nossas razões mais íntimas. Percebemos a nossa tendência em nos mostrar aos outros visando sua aprovação e elogios, porque isto faz bem ao nosso ego.
Mas a pessoa mais evoluída não se compraz com a admiração alheia. Não busca nem precisa dos “altares” e das platéias que nós outros ainda buscamos. Da mesma forma não se ocupa em contabilizar os próprios valores e qualidades, que para ela são naturais, fazem parte do seu ser.
O fato de nos atribuirmos alguma superioridade espiritual já nos informa sobre o nosso real nível evolutivo.
A humildade também leva a quem já vivencia esse valor a assumir postura de aprendiz, mesmo que tenha galgado posições de destaque, por descobrir que o muito que acredita saber e ser, nada é em relação ao que ainda precisa aprender e ser.
E assim, após todas essas reflexões, análises e constatações acabamos por perceber que estivemos caminhando sobre saltos muito altos, ou mesmo, sobre “pernas de pau”, e ao nos olharmos no espelho víamo-nos numa condição bem mais elevada que a realidade.
Esse é um momento único, que poderá decidir nosso processo evolutivo. É o momento em que, face a face com nós mesmos, podemos começar a crescer sobre as próprias bases, sem máscaras, sem ilusões.
Mas também é um momento que acarreta certo perigo, porque podemos não aceitar nossa real posição e acabar construindo novas e mais pesadas máscaras. Da mesma forma pode também surgir o desânimo ou gerar-se baixa auto-estima.
Por tudo isso é necessário preparar bem o coração e a mente, e, acima de tudo, buscar ajuda divina para esses momentos tão importantes nos nossos processos evolutivos. E então, após todas as constatações, quando, mais que perceber, começamos a “sentir” a nossa pequenez, passamos também a nos sentir mais leves e mais livres.
Outro ponto importante é nos aprofundarmos nessa busca interior sem o intuito de nos criticar, censurar ou baixar a auto-estima em razão das coisas negativas que formos encontrando. Devemos, sim, devassar nosso íntimo, assim como um cirurgião, a procura daquilo que nos faz mal, perdoando-nos mediante a compreensão de que somos ainda pré-adolescentes espirituais, com direito de errar, mas a caminho do nosso crescimento.
Chico Xavier se comparava a um burro de carga, ou outros qualificativos que o diminuíam. Certamente foram posturas extremas que ele apresentava visando ajudar os leitores em seu combate ao orgulho, “puxando a corda da humildade” ao extremo, para ver se assim ajudava um pouco mais.
Mas o equilíbrio (outro ponto desta agenda) nos informa que, se buscarmos a nossa realidade mais profunda, sem distorções, não precisamos adotar tais posturas.
E assim, percebendo sempre que a nossa essência espiritual é “luz de Deus” ainda oculta sob a nossa imaturidade, nossa pouca idade sideral, e que somos todos iguais, embora em diferentes trechos do caminho evolutivo, será mais fácil desenvolver a humildade verdadeira. E essa humildade não será um peso a nos diminuir, a nos comprimir em nossos baixos patamares evolutivos, mas um vislumbrar de alegrias divinais a nos irmanar com todos. Nem acima, nem abaixo, mas iguais, como flores a vicejarem sob os raios do divino SOL.


Lembremos Jesus quando disse: "Aprendei de mim, que sou manso e HUMILDE de coração e tereis paz para as vossas almas".

Extraído do opúsculo “Agenda Mínima para Evoluir” disponibilizado no site www.mundoespiritual.com.br (na primeira página, em Downloads)




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